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II. A Escada da Oração
A oração não tem começo nem tem fim.
É uma parte da vida. Mas ela, de fato, muda em sua forma
e cresce com o aprendizado até atingir o seu estado além
da forma e se fundir na total comunicação com Deus.
Na sua forma suplicante ela não precisa fazer e muitas vezes
não faz qualquer apelo a Deus, nem envolve qualquer crença
n'Ele. Nesses níveis a oração é meramente
um querer nascido do senso de escassez e falta.
Essas formas de oração, ou pedidos nascidos da necessidade,
sempre envolvem sentimentos de fraqueza e inadequação
e nunca poderiam ser feitos por um Filho de Deus que sabe Quem ele
é. Portanto, ninguém que esteja certo da sua Identidade
poderia orar dessa forma. Contudo, também é verdade
que pessoa alguma que esteja incerta da sua Identidade pode evitar
orar dessa maneira. E a oração é tão
contínua quanto a vida. Todas as pessoas oram sem cessar.
Pede e terás recebido, pois terás estabelecido o que
é que tu queres.
Também é possível atingir uma forma mais elevada
de pedir-por-necessidade, pois nesse mundo a oração
é reparadora e conseqüentemente níveis de aprendizado
não podem deixar de existir. Aqui o pedido pode ser endereçado
a Deus e podemos acreditar nisso com honestidade, apesar de ainda
não termos a compreensão. Um senso vago e usualmente
instável de identificação foi atingido, mas
tende a ser obscurecido por um senso de pecado profundamente enraizado.
Nesse nível é possível continuarmos a pedir
as coisas desse mundo sob várias formas, e também
é possível pedir dádivas tais como a honestidade
ou a bondade e particularmente o perdão para muitas fontes
de culpa que inevitavelmente são a base subjacente de qualquer
oração feita por necessidade. Sem culpa não
há escassez. Aqueles que não têm pecado não
têm necessidades.
Nesse nível encontra-se também aquela curiosa contradição
em termos conhecida como “orar pelos seus inimigos.”
A contradição não está nas palavras
em si mesmas, está na forma de como usualmente são
interpretadas. Enquanto acreditares que tens inimigos, terás
limitado a oração às leis desse mundo e terás
também limitado a tua capacidade de receber e de aceitar
as mesmas mensagens estreitas. E, no entanto, se tens inimigos tens
necessidade de oração, de fato, grande necessidade.
O que essa frase realmente significa? Ora por ti mesmo para que
possas não mais buscar aprisionar o Cristo e através
disso perder o reconhecimento da tua própria Identidade.
Não sejas um traidor para ninguém ou terás
sido traiçoeiro para contigo mesmo.
Um inimigo é o símbolo de um Cristo aprisionado. E
quem poderia ser Ele senão o teu próprio ser? Assim
sendo, orar pelos teus inimigos vem a ser uma oração
pela tua própria liberdade. Agora já não é
uma contradição em termos. Isso veio a ser uma afirmação
da unicidade de Cristo e um reconhecimento da Sua impecabilidade.
E agora a oração passou a ser santa, pois reconhece
o Filho de Deus assim como ele foi criado.
Não te deixes jamais esquecer que a oração
em qualquer nível é sempre por ti mesmo. Se te unes
a qualquer um em oração, fazes com que ele seja parte
de ti. O inimigo és tu, assim como o Cristo. Portanto, antes
que possa vir a ser santa, a oração passa a ser uma
escolha. Tu não escolhes por nenhum outro. Podes apenas escolher
por ti mesmo. Ora verdadeiramente pelos teus inimigos, pois nisso
está a tua salvação. Perdoa-os pelos teus pecados
e, de fato, serás perdoado.
A oração é uma escada que chega até
o Céu. No topo há uma transformação
que se parece muito com a tua, pois a oração é
parte de ti. As coisas da terra são deixadas para trás
e não são mais lembradas. Não se pede nada,
pois nada está faltando. A Identidade em Cristo é
plenamente reconhecida, está definida para sempre, além
de qualquer mudança e incorruptível. A luz não
mais vacila e nunca se apagará. Agora, sem qualquer tipo
de necessidade e moldada para sempre na pura impecabilidade que
é a dádiva de Deus para ti, Seu Filho, a oração
pode mais uma vez vir a ser aquilo que deve ser. Pois agora ela
se ergue como uma canção de agradecimento ao teu Criador,
que é cantada sem palavras, ou pensamentos, ou desejos vãos,
agora absolutamente sem quaisquer necessidades. Assim ela se estende,
como deve fazer. E por essa dádiva o próprio Deus
dá graças.
Deus é a meta de todas as orações, dando-lhes
intemporalidade ao invés de um fim. Elas também não
têm início porque a meta nunca foi mudada. A oração
em suas formas iniciantes é uma ilusão porque não
há necessidade de uma escada para chegar àquilo que
nunca se deixou. Contudo, a oração é uma parte
do perdão enquanto o perdão, ele mesmo uma ilusão,
continua sem ser atingido. A oração está ligada
ao aprendizado até que a meta do aprendizado tenha sido alcançada.
Então, todas as coisas terão sido transformadas juntas
e devolvidas sem manchas à Mente de Deus. Estando além
do aprendizado, esse estado não pode ser descrito. No entanto,
os estágios necessários para que isso seja atingido
precisam ser compreendidos, se é que a paz vai ser restaurada
para o Filho de Deus, que agora vive com a ilusão da morte
e o medo de Deus.
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