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IV. Orar com os Outros
Até que o segundo nível, pelo menos, se tenha iniciado,
não é possível que a oração seja
compartilhada. Até esse ponto cada um não pode deixar
de pedir coisas diferentes. Contudo, uma vez que a necessidade de
manter o outro como inimigo tenha sido questionada, e a razão
para fazê-lo tenha sido reconhecida, mesmo que seja por apenas
um instante, unir-se em oração passa a ser possível.
Inimigos não compartilham a mesma meta. É nisso que
a sua inimizade é mantida. Os seus desejos separados são
os seus arsenais, suas fortalezas no ódio. A chave para que
se avance mais ainda na oração está nesse simples
pensamento, nessa mudança da mente:
Nós vamos juntos, eu e tu.
Agora é possível ajudar em oração,
assim sendo, procura tu mesmo chegar até lá. Nesse
grau começa a subida mais rápida, mas ainda existem
muitas lições para serem aprendidas. O caminho está
aberto e a esperança se justifica. No entanto, é provável
que no início aquilo que é pedido, mesmo por aqueles
que se unem em oração, não seja a meta que
a oração deveria buscar verdadeiramente. Mesmo juntos,
vós podeis pedir coisas e assim construir apenas a ilusão
de uma meta que compartilhais. Podeis pedir juntos algo específico
e não dar-vos conta de que estais pedindo efeitos sem uma
causa. E isso não podeis ter. Ninguém pode receber
apenas os efeitos, pedindo a uma causa da qual eles não podem
vir, que os ofereça a si mesmo.
Mesmo a união, portanto, não é suficiente se
aqueles que oram juntos não pedirem, acima de tudo, aquilo
que é a Vontade de Deus. Só dessa Causa é possível
vir a resposta na qual todas as necessidades específicas
são satisfeitas, todos os desejos separados unificados em
um só. Orar por coisas específicas sempre implica
em pedir que o passado se repita de alguma forma. O que foi agradável
antes e pareceu ser; o que era de um outro e ele parecia amar, -
tudo isso são apenas ilusões do passado. A finalidade
da oração é liberar o presente das suas cadeias
de ilusões passadas; deixar que ele seja um remédio
livremente escolhido para cada escolha que simbolizou um equívoco.
O que a oração pode te oferecer agora excede tanto
tudo o que pediste antes, que é uma pena que te contentes
com menos.
Escolheste uma chance que acaba de nascer a cada vez que oras. Acaso
quererias sufocá-la e aprisioná-la em antigas prisões,
se tens a chance de liberar a ti mesmo de todas elas imediatamente?
Não restrinjas o teu pedido. A oração pode
trazer a paz de Deus. Que coisa presa no tempo pode dar-te mais
do que isso no pequeno espaço que dura antes de sucumbir
no pó?
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A
CANÇÃO DA ORAÇÃO
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