Fundação para o Despertar da Mente (Awakening Mind )


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III. Orar pelos Outros

Nós dissemos que a oração é sempre por ti mesmo, e isso é assim. Porque, então, deverias orar pelos outros seja qual for a razão? E se devesses, como deverias fazê-lo? Orar pelos outros, se corretamente compreendido, vem a ser um meio de retirar as tuas projeções de culpa de cima do teu irmão capacitando-te a reconhecer que não é ele que está te ferindo. O pensamento venenoso que te diz que ele é o teu inimigo, a tua contraparte má, o teu castigo merecido tem que ser abandonado antes que tu possas ser salvo da culpa. Para isso o meio é a oração, com poder crescente e metas ascendentes, até que ela chegue até mesmo a Deus.

As formas iniciais da oração nos primeiros degraus da escada não estarão livres de inveja e da malícia. Elas clamam por vingança, e não por amor. Também não vêm de alguém que compreende que são apelos para a morte causados pelo medo, feitos por aqueles que valorizam a culpa. Elas clamam por um deus vingador, e é ele que parece responder-lhes. Não é possível que aquele que pede o inferno para um outro possa ele mesmo escapar do próprio pedido. Só aqueles que estão no inferno podem pedir o inferno para o outro. Aqueles que foram perdoados, e que aceitaram o próprio perdão nunca poderiam fazer uma oração como essa.

Nesses níveis, então, a meta do aprendizado tem que ser o reconhecimento de que a oração trará uma resposta apenas na forma na qual ela foi feita. Isso é o suficiente. Daqui para frente será subir os degraus para os próximos níveis. A subida que se segue começa com isso:

O que pedi para o meu irmão, não é o que eu quero para mim. Assim fiz dele meu inimigo.

É claro que esse degrau não pode ser atingido por qualquer pessoa que não veja nenhum valor ou vantagem para si mesmo em liberar os outros. Isso pode ser adiado por muito tempo porque pode parecer ser perigoso em vez de misericordioso. Para os culpados, de fato, parece haver uma vantagem real em ter inimigos, e o que se imagina que se ganha com isso tem que ser abandonado, se é que os inimigos vão ser libertados.

É preciso desistir da culpa e não escondê-la. Isso também não pode ser feito sem alguma dor, e um vislumbre da natureza misericordiosa desse passo pode, por algum tempo, ser seguido por uma fuga profunda para o medo. Pois as defesas do medo são aterradoras em si mesmas e, quando são reconhecidas, trazem o medo com elas. E que vantagem uma ilusão de escapar jamais trouxe a um prisioneiro? Ele só pode escapar realmente da culpa reconhecendo que culpa se foi. E como é possível que ele reconheça isso enquanto estiver escondendo-a em uma outra pessoa, sem ser capaz de ver que ela lhe é própria? O medo de escapar faz com que seja difícil de dar boas-vindas à liberdade, e a segurança parece estar em fazer de um inimigo um carcereiro. Como ele pode ser liberado sem que sintas um medo insano por ti mesmo? Tu fizeste dele a tua salvação e o teu escapar da culpa. O teu investimento nessa escapada é pesado e o teu medo de desistir disso é grande.

Fica quieto um instante, agora, e pensa no que fizeste. Não esqueças que foste tu que fizeste tudo isso, portanto, tu és aquele que pode deixar que tudo desapareça. Estende a tua mão. Esse inimigo veio para abençoar-te. Aceita a sua bênção, e sente como o teu coração é erguido, e o teu medo liberado. Não te apegues ao medo, nem a ele. Ele é um Filho de Deus, junto contigo. Ele não é um carcereiro, mas um mensageiro de Cristo. Sê isto mesmo para com ele de modo que possas vê-lo assim.

Não é fácil reconhecer que orações por coisas, por status, por amor humano, por ‘dádivas’ externas de qualquer tipo são sempre feitas para instituir carcereiros e esconder-te da culpa. Essas coisas são utilizadas como substitutos para Deus e, portanto, distorcem o propósito da oração. O desejo por essas coisas é a oração. Não é preciso pedir explicitamente. A meta de Deus se perde na busca de metas menores de qualquer tipo, e a oração vem a ser um meio de requisitar inimigos. O poder da oração pode ser reconhecido bem claramente mesmo nisso. Ninguém que queira um inimigo deixará de encontrá-lo. Mas, com essa mesma certeza, ele perderá a única meta verdadeira que lhe é dada. Pensa no custo, e compreende-o bem. Todas as outras metas são obtidas às custas de Deus.


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