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I. Perdoar a Ti Mesmo
Nenhuma dádiva do Céu foi mais mal interpretada
do que o perdão. Ele, de fato, virou um flagelo, uma praga
onde deveria abençoar, uma zombaria cruel da graça,
uma parodia da paz santa de Deus. No entanto, aqueles que ainda
não escolheram começar a subir os degraus da oração
não podem deixar de usá-lo assim. A benignidade do
perdão é obscurecida a princípio porque a salvação
não é compreendida nem verdadeiramente buscada. O
que deveria curar é usado para ferir porque o perdão
não é querido. A culpa passa a ser salvação
e o remédio para ela parece ser uma alternativa terrível
para a vida.
O perdão-para-destruir será, portanto, muito mais
adequado ao propósito do mundo do que o seu verdadeiro objetivo,
e os meios honestos através dos quais essa meta é
atingida. O perdão-para-destruir não deixará
de ver pecado algum, crime algum, culpa alguma que ele possa buscar,
achar e ‘amar’. O erro é caro para o seu coração
e os equívocos aparecem com grandiosidade, crescem, e incham
a sua vista. Ele colhe cuidadosamente todas as coisas ruins e ignora
as amorosas como se fossem uma praga, uma coisa odiosa feita de
perigo e morte. O perdão-para-destruir é morte e isso
ele vê em tudo o que olha e odeia. A misericórdia de
Deus veio a ser uma faca torta que quer destruir o Filho santo que
Ele ama.
Perdoaria a ti mesmo por fazer isso? Aprende, então, que
Deus te deu o meio pelo qual podes retornar a Ele em paz. Não
vejas erros. Não o tornes reais. Seleciona o que é
amoroso e perdoa o pecado escolhendo em seu lugar a face de Cristo.
De que outra forma pode a oração retornar a Deus?
Ele ama o Seu Filho. Podes lembrar-te Dele e odiar o que Ele criou?
Odiarás o seu Pai se odeias o Filho que Ele ama. Pois assim
como vês o Filho vês a ti mesmo, e assim como vês
a ti mesmo assim é Deus para ti.
Uma oração é sempre por ti mesmo, assim como
o perdão é sempre dado a ti. É impossível
perdoar a um outro, pois são apenas os teus pecados que vês
nele. Queres vê-los lá e não em ti mesmo. É
por iss que o perdão de um outro é uma ilusão.
No entanto, é o único sonho feliz em todo o mundo,
o único que não conduz à morte. Só em
outro podes perdoar a ti mesmo, pois tornaste-o culpado pelos teus
pecados e nele tens que encontrar a tua inocência agora. Quem
a não ser os pecadores precisam ser perdoados? E nunca penses
que podes ver pecado em qualquer um exceto em ti mesmo.
Esse é o grande engano do mundo, e tu és o grande
enganador de ti mesmo. Sempre parece que o outro é quem é
mau e tu és aquele que é machucado pelo seus pecados.
Como seria possível a liberdade se isso fosse assim? Tu serias
o escravo de todos, pois o que ele faz acarreta o teu destino, os
teus sentimentos, o teu desespero ou esperança, a tua miséria
ou alegria. Tu não tens nenhuma liberdade a menos que ele
a dê a ti. E sendo mau, ele pode apenas dar o que é.
Não podes ver os seus pecados sem ver os teus. Mas podes
libertá-lo e a ti mesmo também.
O perdão verdadeiramente dado é o caminho no qual
se encontra a tua única esperança de liberdade. Os
outros cometerão erros e tu também enquanto essa ilusão
de um mundo parecer ser a tua casa. No entanto, o próprio
Deus deu a todos os Seus Filhos um remédio para todas as
ilusões que eles pensam ver. A visão de Cristo não
usa os teus olhos, mas podes olhar através dos Seus, e aprender
a ver como Ele. Equívocos são sombras diminutas que
passam rapidamente, e por um instante apenas pareciam esconder a
face de Cristo que ainda permanece imutável atrás
de todos eles. A Sua constância permanece em silêncio
tranqüilo e em perfeita paz. Ele não sabe das sombras.
São Seus olhos que olham através do erro para o Cristo
em ti.
Pede, então, a Sua ajuda e pergunta a Ele como aprender a
perdoar assim como a Sua visão permite que seja o perdão.
Tu tens necessidade do que Ele dá, e a tua salvação
se baseia em aprender isso com Ele. A oração não
pode ser liberada para o Céu enquanto o perdão-para-destruir
estiver contigo. A misericórdia de Deus quer remover esse
pensamento desmoralizante e envenenado da tua mente santa. Cristo
te perdoou e na Sua visão o mundo veio a ser tão santo
quanto Ele mesmo. Quem não vê nenhum mal no mundo vê
como Ele. Pois o que Ele perdoou não cometeu nenhum pecado
e a culpa não pode mais existir. O plano da salvação
se completa e a sanidade veio afinal.
O perdão é o chamado para a sanidade, pois quem senão
os insanos preferem olhar para o pecado quando poderiam ver a face
de Cristo em lugar disso? Essa é a escolha que fazes, a mais
simples, e apesar disso a única que podes fazer. Deus te
chama para salvar o Seu Filho da morte oferecendo-lhe o amor de
Cristo. Essa é a tua necessidade e Deus oferece essa dádiva
a ti. Assim como Ele quer dar, assim também tu tens que dar.
E assim a oração retorna ao que é, sem forma,
e vai além de todos os limites à intemporalidade,
sem nada do passado para atrasá-la impedindo-a de reunificar-se
com a canção infindável que toda a criação
canta para o seu Deus.
Mas, para atingir esse objetivo precisas primeiro aprender, antes
de poderes alcançar o lugar onde o aprendizado não
pode ir. O perdão é a chave, mas quem pode usar uma
chave quando perdeu a porta para a qual a chave foi feita, e o único
lugar onde ela pode servir? Portanto, fazemos distinções,
de modo que a oração possa ser libertada da escuridão
para a luz. O papel do perdão tem que ser revertido e limpo
das utilizações más e das metas odiosas. O
perdão-para-destruir tem que ser desvendado em toda a sua
traição, e então abandonado para sempre. Não
pode restar qualquer traço dele, se é que o plano
que Deus estabeleceu para o retorno vai ser realizado finalmente
e o aprendizado completado.
Esse é o mundo dos opostos. E tu tens que escolher entre
eles a todos os instantes enquanto esse mundo retiver realidade
para ti. No entanto, tens que aprender alternativas para a escolha,
ou não serás capaz de atingir a tua liberdade. Deixa
que fique claro para ti exatamente o que o perdão significa
para ti, e aprende o que ele deve ser para libertar-te. O nível
da tua oração depende disso, pois aqui ela espera
a liberdade para ser erguer acima do mundo do caos e entrar na paz.
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A
CANÇÃO DA ORAÇÃO
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