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II. Perdoar-para-Destruir
O perdão-para-destruir tem muitas formas, sendo uma arma
do mundo da forma. Nem todas são óbvias e algumas
são cuidadosamente escondidas embaixo do que parece ser caridade.
No entanto, todas as formas que ele pode parecer tomar têm
apenas essa meta simples: seu propósito é separar
e tornar aquilo que Deus criou igual, diferente. A diferença
está clara em muitas formas nas quais a comparação
que deve ser feita não pode passar despercebida, nem realmente
se pretende que passe.
Nesse grupo, em primeiro lugar, estão as formas nas quais
uma pessoa ‘melhor’ se digna a rebaixar-se para salvar
uma ‘mais baixa’ daquilo que ela verdadeiramente é.
O perdão aqui se baseia numa atitude de graciosa aristocracia
tão distante do amor que a arrogância nunca poderia
ser desalojada. Quem pode perdoar e com tudo desprezar? E quem pode
dizer a um outro que ele está mergulhado no pecado e ainda
assim percebê-lo como o Filho de Deus? Quem faz de alguém
um escravo para ensinar-lhe o que é a liberdade? Não
há união aqui, apenas tristeza. Não há
realmente misericórdia. Isso é morte.
Uma outra forma, ainda muito apreciada como a primeira se for compreendida,
não aparece em tão ruidosa arrogância. Aquele
que quer perdoar o outro não clama por ser o melhor. Agora
ele diz, em vez disso, que aqui há alguém cujo pecado
ele compartilha, já que ambos foram indignos e merecem a
punição da ira de Deus. Isso pode parecer um pensamento
humilde e pode, de fato, induzir a uma rivalidade no pecado e na
culpa. Não é amor pela criação de Deus
e a santidade que é a Sua dádiva para sempre. É
possível que o Seu Filho condene a si mesmo e ainda se lembre
Dele?
Aqui a meta é separar de Deus o Filho que Ele ama e mantê-lo
longe da sua Fonte. Essa meta também é buscada por
aqueles que buscam o martírio nas mãos de um outro.
Aqui é preciso que a finalidade seja vista claramente, pois
isso pode passar por mansidão e caridade em vez de crueldade.
Não é benigno aceitar o desprezo do outro e não
responder a não ser com silêncio e um sorriso gentil?
Olha para isso, como és bom, tu que carregas com paciência
e um ar de santo a raiva e a ferida que um outro te faz, e não
mostra a dor amarga que sentes.
O perdão-para-destruir se esconde freqüentemente atrás
de um manto como esse. Ele mostra a face do sofrimento e da dor,
como prova silenciosa da culpa e da devastação do
pecado. Tal é a testemunha que ele oferece àquele
que poderia ser um salvador, não um inimigo. Mas tendo sido
feito inimigo, ele tem que aceitar a culpa e a reprovação
profundamente inculcada que assim é posta sobre ele. Isso
é amor? Ou é mais uma traição para com
alguém que precisa ser salvo da dor da culpa? O que poderia
ser o propósito disso, exceto manter as testemunhas da culpa
longe do amor. O perdão-para-destruir também pode
tomar a forma de barganha e concessão. Eu te perdoarei se
satisfizeres as minhas necessidades, pois na tua escravidão
está a minha liberação. Dizes isso a qualquer
um e serás escravo. E buscarás livrar-te da culpa
em mais barganhas que não podem dar nenhuma esperança,
mas apenas maior dor e miséria. Como o perdão agora
veio a ser amedrontador, e como está distorcido o fim que
ele busca. Tem piedade de ti mesmo que barganhas desta forma. Deus
dá e não pede recompensa. Não há nenhuma
dádiva a não ser como Ele. Todo o resto é zombaria.
Pois quem poderia fazer uma barganha com o Filho de Deus, e agradecer
ao seu Pai pela sua santidade?
O que queres mostrar ao teu irmão? Tentarias reforçar
a sua culpa e assim a tua própria? O perdão é
o meio para escapares. Como é digno de pena fazer dele o
meio para maior escravidão e dor. Dentro do mundo dos opostos
há um modo de usares o perdão para a meta de Deus
e encontrares a paz que Ele te oferece. Não queiras te apoderar
de nada além disso, ou terás buscado a tua morte e
orado pela separação do teu Ser. Cristo é para
todos porque Ele está em todos. É a Sua face que o
perdão permite que vejas. É a Sua face na qual vês
a tua própria.
Todas as formas que o perdão toma que não levem para
longe da raiva, da condenação e de qualquer tipo de
comparação são morte. Pois isso é o
que os seus propósitos determinaram. Não te enganes
com eles, mas deixa-os de lado julgando as suas trágicas
ofertas como algo sem valor. Tu não queres permanecer na
escravidão. Tu não queres ter medo de Deus. Queres
ver a luz do sol e o brilho do Céu cintilando sobre a face
da terra redimida do pecado no Amor de Deus. A partir daqui a oração
é liberada junto contigo. As tuas asas estão livres
e a oração erguer-te-á e trazer-te-á
para casa onde Deus quer que estejas.
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