Fundação para o Despertar da Mente (Awakening Mind )


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VI. A Definição da Cura

O processo da psicoterapia pode, então, ser definido simplesmente como perdão, pois a cura não pode ser nenhuma outra coisa. Os que não perdoam estão doentes, acreditando que não foram perdoados. Apegando-se à culpa, abraçando-a fortemente, e oferecendo-lhe abrigo, protegendo-a com amor e defendendo-a em constante estado de alerta - estão apenas recusando-se inflexivelmente a perdoar. “Deus não pode entrar aqui” os doentes repetem uma e outra vez, enquanto choram a sua perda e ainda assim se regozijam nela. A cura acontece quando um paciente começa a ouvir a lamentação fúnebre que canta e questiona sua validade. Até que ele a ouça, não pode entender que é ele mesmo que canta para si próprio. Ouvi-la é o primeiro passo na recuperação. Questioná-la tem que vir a ser a sua escolha.

Há uma tendência e muito forte de ouvir essa canção da morte apenas por um instante, e depois despedi-la sem correção. Esses momentos fugazes de consciência representam as muitas oportunidades que nos são dadas para ‘mudar o tom’ literalmente. O som da cura pode ser ouvido em vez disso. Mas, em primeiro lugar, a disponibilidade de questionar a ‘veracidade’ da canção da condenação tem que surgir. As estranhas distorções tecidas inexplicavelmente no auto-conceito de cada um, que é em si mesmo uma pseudo-criação, faz com que esse som tão feio pareça verdadeiramente belo. “O ritmo do universo”, “o arauto da canção dos anjos,” tudo isso e muito mais ainda é ouvido em vez dos altos guinchos dissonantes.

O ouvido traduz, ele não ouve. O olho reproduz, ele não vê. A sua tarefa é tornar agradável seja o que for que seja chamado, pois mais desagradável que possa ser. Eles respondem às decisões da mente, reproduzindo os seus desejos e traduzindo-os em formas aceitáveis e aprazíveis. Algumas vezes o pensamento por trás da forma vem à tona, mas apenas por um breve instante e a mente se amedronta e começa a questionar a própria sanidade. Contudo, ela não permitirá que os seus escravos mudem as formas que contemplam, os sons que ouvem. Esses são seus ‘remédios’, seus ‘salvo-condutos’ através da insanidade.

Esses testemunhos que os sentidos trazem não têm senão um propósito: justificar o ataque e assim manter o que não foi perdoado sem ser reconhecido pelo que é. Visto sem disfarces, isso é intolerável. Sem proteção não poderia subsistir. Aqui toda a doença é valorizada, sem o reconhecimento de que é assim. Pois quando o que não foi perdoado não é reconhecido, a forma que toma parece ser uma outra coisa. E agora é essa ‘outra coisa’ que parece aterrorizar. Mas não é a ‘outra coisa’ que pode ser curada. Não está doente, e não precisa de nenhum remédio. Concentrar os teus esforços para cura aqui é apenas futilidade. Quem pode curar o que não pode estar doente e fazer com que fique bom?

A doença toma muitas formas e assim também a indisponibilidade para perdoar. As formas de cada uma apenas reproduzem as formas da outra, pois são a mesma ilusão. Cada uma é traduzida tão fielmente na outra, que um estudo cuidadoso da forma que uma doença toma apontará claramente para a forma da indisponibilidade de perdão que representa. Contudo, ver isso não efetuará uma cura. Isso é conseguido por apenas um reconhecimento: que só o perdão cura algo que não foi perdoado, e só uma indisponibilidade de perdoar pode fazer surgir qualquer tipo de doença.

A compreensão dessa idéia é a meta final da psicoterapia. Como é realizada? O terapeuta vê no paciente tudo o que ele não perdoou em si mesmo e assim lhe é dada uma outra chance de olhar para isso, abri-lo para reavaliação e perdoá-lo. Quando isso acontece, ele vê que os seus pecados desapareceram num passado que não está mais presente. Até que faça isso, não pode deixar de pensar que o mal o está atacando aqui e agora. O paciente é a tela para a projeção de seus pecados, capacitando-o a soltá-los. Se ele retiver uma mancha de pecado naquilo que contempla, a sua liberação será parcial e não será uma certeza.

Ninguém é curado sozinho. Essa é a canção alegre que a salvação canta para todos aqueles que ouvem a sua Voz. Essa declaração não pode ser lembrada demais por todos aqueles que vêem a si mesmos como terapeutas. Os seus pacientes só podem ser vistos como portadores do perdão, pois são eles que vêm demonstrar a própria impecabilidade a olhos que ainda acreditam que o pecado lá está para ser contemplado. No entanto, a prova da impecabilidade, vista no paciente e aceita no terapeuta, oferece à mente de ambos um acordo no qual eles se encontram e se unem e são como um só.

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PSICOTERAPIA - Propósito, Processo e Prática

 


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