I. Os Limites da Psicoterapia
Apesar disso, o resultado ideal raramente é conseguido. A terapia começa quando se compreende que a cura é da mente e, em psicoterapia, aqueles que se encontram já acreditam nisso. Pode ser que não consigam chegar muito adiante, pois ninguém aprende o que está além daquilo que ele próprio está pronto par aprender. Contudo, níveis de prontidão mudam, e quando o terapeuta ou o paciente atinge o próximo nível, um relacionamento lhe será oferecido que satisfaz aquela necessidade mudada. Talvez eles se encontrem outra vez e avancem no mesmo relacionamento, tornando-o mais santo. Ou talvez cada um deles entre em um outro compromisso. Tem certeza disso: cada um progredirá. O retrocesso é temporário. A direção predominante é o progresso rumo à verdade.
A psicoterapia em si mesma não pode ser criativa. Esse é um dos erros engendrados pelo ego: que ele é capaz de mudança verdadeira e, portanto, de verdadeira criatividade. Quando nós falamos da “ilusão que salva” ou do “sonho final”, não é a isso que nos referimos, mas aqui está a última defesa do ego. ‘Resistência’ é o seu modo de olhar para as coisas: a sua interpretação de progresso e crescimento. Essas interpretações estarão necessariamente erradas porque são delusórias. As mudanças que o ego busca fazer não são realmente mudanças. São apenas sombras mais profundas, ou talvez as nuvens se combinem em padrões diferentes. Contudo, o que é feito do nada não pode ser chamado de novo ou diferente. Ilusões são ilusões; verdade é verdade.
A resistência, tal como é definida aqui, pode ser característica tanto de um terapeuta quanto de um paciente. Nos dois casos, ela coloca um limite na psicoterapia porque restringe os seus objetivos. E o Espírito Santo também não pode lutar contra as intrusões do ego no processo terapêutico. Mas Ele esperará, e a Sua paciência é infinita. A Sua meta é sempre indivisa. Sejam quais forem as resoluções que o paciente e o terapeuta tomem com relação à suas metas divergentes, elas não podem ser totalmente reconciliadas em uma só até que eles se unam com a Sua. Só então todo o conflito termina, pois só então pode haver certeza.
Em sua forma ideal, a psicoterapia é uma série de encontros santos nos quais irmãos se unem para abençoar um ao outro e receber a paz de Deus. E isso um dia virá a acontecer para cada ‘paciente’ na face da terra, pois quem exceto um paciente poderia jamais ter vindo aqui? O terapeuta é apenas um professor de Deus mais especializado. Ele aprende ensinando, e quanto mais avançado ele é, mais ensina e aprende. Mas seja qual for o estágio no qual ele estiver, há pacientes que precisam dele exatamente daquele modo. Eles não podem receber mais do que ele pode dar por enquanto. No entanto, ambos encontrarão a sanidade no fim.
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PSICOTERAPIA - Propósito, Processo e Prática